20171025

Egojuizos


Não queria de, como leigo na matéria, deixar passar esta oportunidade temporal para escrever um curto comentário sobre decisões e opiniões "lapidares" transcritas no acórdão do Tribunal da Relação do Porto (Processo n.° 355/15.2 GAFLG.P1 - Recurso penal) cujo relator foi o já famoso juiz desembargador Neto de Moura (ver extrato na imagem).

Passo a listas as minhas interrogações que perplexidade me causam:

Num Estado de Direito como podem ser aplicadas decisões que violam princípios constitucionais?
Não está a Constituição da República Portuguesa, lei fundamental (pelos menos os artigos 9.º h e 13.º 2), acima destas decisões para que tais acórdãos sejam considerados nulos, por indiciarem ilegalidades ou mesmo incitação à violência?
Além disso se adotamos para a legislação nacional a Carta Internacional dos Direitos Humanos, tais princípios ficam "esquecidos" (pelo menos os artigos 7.º e 12.º...) quando são juízes a tomar estas abjetas decisões?
Estarão a "voz" e a "escrita" deles (pior ainda: as suas reflexões teo(i)lógicas...), acima da Lei?

Haverá alguém que explique o porquê desta inoperância judicial?...
Fonte: DN, Portugal

20171017

Fogo no Ego, chuva no quintal...

Temos hábitos estranhos... reagimos em vez de nos precavermos e agirmos ante de catástrofes acontecerem.
Quatro meses de redes sociais e imprensa onde se discutem fogos, apenas depois de eles começarem... Por isso não falarei deles; falarei sim do que agora poderá aí vir.

Estão em extinção, graças à ajuda das chuvas, os fogos em curso;  há que pensar nas inundações que aí poderão vir.
A encosta florestal não irá reter com eficácia as águas pluviais, a pavimentação urbana aumenta todos os anos a impermeabilidade dos solos e, nesta altura 'esquecemo-nos' sempre, como comunidade, que há cursos de água, esgotos e sarjetas para limpar... Se tiver sapiência, continue lendo!
Há casas com caves e garagens em zonas de risco de inundação....
Já alguém se lembrou disso?...
Antes que venham aí novas catástrofes e que comecemos todos a desculpabilizarmo-nos, façamos os trabalhos de casa e EXIJAMOS ao poder local medidas de PREVENÇÃO nesta matéria!
Também compilei e adaptei algumas recomendações do Gabinete de Bombeiros e Protecção Civil de Tavira que poderão ser úteis (foi o melhor que encontrei.... de entre os mais simplificados).
Ajude e promova pelo menos as seguintes medidas:
  • limpeza de ribeiros e linhas de água, sumidouros e outros esgotos de águas pluviais e domésticos, principalmente junto a casas, pontes e outros potenciais estrangulamentos ao escoamento natural;
  • manutenção e desentupimento dos sistemas de drenagem urbana;
  • vigilância e detecção de ‘pontos críticos’ que possam afectar a vida da comunidade (como muros de suporte ou taludes que possam desmoronar, edifícios em risco de ruína, pontões que possam ficar submersos, árvores que possam quebrar.

Ponhamos a ANPC a fazer a promoção das boas práticas em comunicados à imprensa, para que se aposte em PREVENIR e não em remediar...
Nada o previa... e Albufeira há 2 anos ficou assim:

20170722

Egómetro político

Sempre que há um cartaz por detrás haverá sempre algo de propaganda. Vejamos o que este que publico nos diz embora concorde que estamos melhor, sem dúvida: ainda bem que a frente pafiana se desvanesse aos poucos. No entanto  gostaria de lançar algumas questões nos pontos 1, 4 e 5.

Ponto 1 - Os números do empregoa apresentar deveriam ser líquidos,  ou seja, dos 175 mil retirar os novos desempregados que entretanto surgiram; aí sim teríamos informação útil e não enviezada. Mas também será necessário contabilizar o que esses novos empregos perderam em salário real, face ao que auferiam há 10 ou 15 anos atrás...

Pontos 4 e 5 - Preocupa-me seriamente o nosso endividamento externo. O país continua a produzir menos do que aquilo que consome. Assim teremos, mais cedo ou mais tarde, uma morte inevitável.

Os portugueses, na sua grande maioria, continuam sem se preocuparem em consumir produtos nacionais ou com forte componente nacional, pois são esses produtos que contribuirão para a redução do défice externo, ou seja, para melhoria da riqueza nacional. Se deixássemos de importar produtos supérfluos, que em nada nos acrescentam (ex.: importação de literatura de cordel,  se deixássemos de promover e importar concertos, filmes, músicas, etc... de qualidade duvidosa, deixássemos de adquirir gadgets, bens alimentares, veículos, roupas que em nada melhoram a nossa vida, etc, etc,...) e passássemos todos nós a promover mais os produtos culturais ou perecíveis  nacionais, talvez melhorássemos um pouco.

Quando vou a alguma loja tenho sempre a preocupação de seguir os produtos de componentes nacionais (ean 560): prefiro legumes, frutas, carnes, enlatados, etc... de produção nacional e por aí fora. Como exemplo, chego ao 'ridículo' de raramente usar pastilhas elásticas por não encontrar de fabrico português ... apenas Gorila... ou de pedir aos funcionários das lojas para exibirem as etiquetas das caixas de produtos para eu verificar a sua origem. Infelizmente noutras situações não posso aplicar este princípio mas aí, nos que não podemos evitar deveríamos ter as nossas exportações a colmatar e compensar o saldo das contas com o défice. Deveríamos mesmo contar com os senhores deputados e governantes para melhorar esta eficiência para alavancar o país; mas infelizmente não posso... pois promovem os fatos/calçados italianos, os perfumes franceses, os carros alemães, as férias gregas ou espanholas, as marcas inglesas.... raramente vestem ou exibem marcas nacionais... e isso entristece-me.

Não sou nacionalista, apenas defendo o comércio de proximidade ou local e tento comprar o que faz melhorar o mundo mais próximo de mim.

E com isto termino:  enquanto houver défice externo NUNCA PODEREMOS ESTAR MELHOR. Isso será sempre ficção.

20170629

Egocêntrico? Não, obrigado!

A primeira incursão na literatura turca é-me conduzida por Orphan Pamuk (Nobel em 2006) em jeito de ensaio, ou melhor num conjunto de conferências proferidas.
É certo que a visão é também um pouco uma vista para o ocidente mas mesmo assim descobrem-se umas migalhas da civilização a leste, já no oriente muçulmano.
O tema é o significado e a evolução do romance à luz da transformação que autores clássicos lhes foram impulsionando. E as perspetivas na tentativa de o moldar são muitas e inesgotáveis.
Nesta leitura a lembrança corria-me às vezes para o filme "Clube dos Poetas Mortos" (grande Robin Williams!) onde, no seu climax, proferem-se extratos de Walt Wittman
"O Captain! My Captain!"


por via de uma turma de alunos que trazem apenas a incerteza dos modelos propagados pelas teorias que tentam classificar a nossa criatividade.

Nesta coleção de textos de Pamuk, como se de conversas se tratasse, verifica-se que a liberdade de interpretar o que se lê é um ato que percorre livremente o espaço entre escritor e leitor, pois:
"A única coisa que está entre o escritor e o leitor é o texto do romance, como se este fosse uma espécie de tabuleiro de xadrez, divertindo-se ambos a jogar. Cada leitor vê o texto à sua maneira e procura o centro onde lhe apetecer" (p. 121)